Dentro do salão: pouca luz e o cheiro de álcool sobre as mesas
Pedia, quem entrasse pela porta principal, que se acendesse a luz
Mas era de fato, tempo de adequar os olhos ao ambiente
Quando acontecesse, feito acontecido a ambientação do olhado
Veria então que não era falta de luz, mas o excesso lá fora
E do lado de lá todos eram mais frios, considerando o acalentado povo de dentro
Que voltava para responder as perguntas feitas ontem, e anteontem
E antes de anteontem...
Não fomos nós!
Não foram eles, mas não os impedia saírem porta a fora
E quando era feito, filas imensas, nuanças de gente saindo do salão
Logo se repetiam, suados, atordoados, voltando exasperados
Não fomos nós!, e se amontoavam na penumbra
Olhando de perto, cada defeito de ruga pequena e grande
Cada marca de tempo no rosto de quem fosse seu espelho
Pintando uma suposta imagem do que lhe aguardava ou já passara
Fui assim, serei assim...
Não fomos nós!
Tolerantes, bárbaros do cotidiano, ratos na mesma gaiola
Jogados no âmbito confuso do salão, na meia luz, no calor extenuante
Não foram eles, e eles continuam gritando, não fomos nós!
E lágrimas, e palavras de dor, e cadeados sobre os olhos, e suores sob as roupas
Folhando os corpos frágeis uns dos outros, em orgias conspiratórias
Não foram eles, e a pergunta continua sem resposta
Continua marcando cadencialmente, continua suspensa
Não foram eles, continua vaga, não foram eles...
Não fomos nós!
No salão, dentro dele: a pergunta nômade, o eco da voz grave de um deus mortal
Um único que grita agora, afinal já vem a hora que deveria ser
E nessa hora a pergunta crucial, o impulso de todo o movimento
O laço entre interrogação e exclamação....
Quem foi?
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